Planeamento
e estrutura de um treino
Heinz
Reinkmeier – ISSF Journal
A
cabeça coloca-se sobre o encosto de cara, apoiada na bochecha. Se o pescoço
estiver relaxado, o olhar cai directamente sobre as miras.
O
ombro direito está relaxado e descaído. A "chapa de coice" apoia-se,
fazendo uma força constante próximo da articulação do ombro. A mão direita agarra
o punho com firmeza. O braço deve estar relaxado. A parte superior do corpo
deve estar inclinada para trás e perpendicular ao alvo. Aplicando respiração
abdominal relaxam-se intencionalmente os músculos, pelo que o tronco baixa e
endireita.
A
anca é forçada em direcção ao alvo, inclinada mas perpendicular ao alvo. A perna
direita coloca-se para fora ( apoia a posição mas só suporta 10 a 30% do peso.
O
joelho direito deverá estar recto mas relaxado. Através de pequenos giros do
pé direito alivia-se a tensão da rótula.
O
pé direito determina as relações de altura, direcção e tensão na posição em
pé. É muito importante para correcções do equilíbrio, do centro de gravidade
e das tensões musculares. Para compensar alterações devem-se fazer pequenos
ajustes no pé ao longo de uma prova. Como postura básica recomenda-se girá-lo
ligeiramente para o exterior.
O
ombro esquerdo situa-se mais baixo. O braço junta-se ao tórax com uma pressão
suave. O contacto inicia-se através do cotovelo. O punho esquerdo mantém-se
direito e sem tensão aparente. A mão geralmente posiciona-se formando "punho".
Os atiradores com braços relativamente compridos seguram a coronha de diferentes
maneiras, com os dedos ou com a palma da mão. O antebraço esquerdo mantém-se
quase vertical. As tensões musculares devem ser mínimas no conjunto braço /
mão.
O
cotovelo esquerdo é um ponto chave na distribuição de tensões e no alinhamento
da parte superior do corpo. É necessário um ponto de apoio firme no osso da
anca para que o braço de apoio possa estar completamente relaxado. O equilíbrio
e o centro de gravidade através de pequenos ajustes do ponto de apoio.
A
pélvis empurra-se em direcção ao alvo, pelo que a anca sobe e a perna esquerda
sofre um forte desgaste. Esta posição encontra a resistência dos músculos e
tendões e a força deverá ser constante. Ao colocar-se a arma ao ombro e dirigi-la
para o alvo a anca permanece perpendicular à linha de tiro.
A
perna esquerda encontra-se quase perpendicular e suporta a maior parte do peso
do corpo e da carabina. Com pequenos giros do joelho pode-se bloqueá-la numa
posição firme, devendo ser feitos pequenos ajustes ao longo da competição.
O
pilar de apoio está formado pelo pé esquerdo, a perna, a pélvis, o antebraço
esquerdo e a mão. Com a carabina encarada, deve-se sentir claramente que o peso
se transmite através desta linha.
Novamente,
o pé esquerdo é o que se ocupa do equilíbrio e do alinhamento da posição. Os
nervos no extremo da sola do pé informam constantemente como está repartido
o peso. Esta informação é essencial para o controlo das oscilações laterais.
Como posição básica é preferível o alinhamento do pé girado para a direita em
relação ao alvo.
Foge
dos elogios mas faz por
merece-los.
Aprendizagem
Deitado
é ( segundo o conceito do autor ) a disciplina rainha do tiro de precisão. Em
nenhuma outra o recorde do mundo está no nível máximo. Em deitado, vários atiradores
já obtiveram a pontuação máxima de 600 pontos. Mecanicamente é a mais fácil
graças aos muitos pontos de apoio e grande estabilidade da arma.
O
que diferencia os "atiradores de deitado" dos que ainda não chegaram
aos grandes resultados é a constante concentração, prudente perfeição da pontaria,
relaxamento total do corpo e resistência mental para aguentar a pressão de tantos
"dezes" seguidos.
Normas
Gerais
1
– Deve-se estudar a posição ( treinando em seco e observando as reacções da
carabina ) procurando a máxima estabilidade da arma. Qualquer movimento ou pulsação
que detectes é possível minimizar. Muitos atiradores não prestam suficiente
atenção a este detalhe. Os tubos prolongadores das miras utilizam-se com o objectivo
de aumentar a percepção dos movimentos da arma.
2
– Podes disparar sempre depois de ter conseguido a sensação de equilíbrio entre
os cotovelos, com o corpo completamente relaxado ( especialmente os braços e
o pescoço ). É surpreendente, mas não é suficiente apontar bem. Pelo menos 10%
dos tiros desviam-se do 10 precisamente no momento do disparo. Se queres atirar
bem em deitado, não podes correr esse risco, desprezando as sensações.
3
– A visão perfeita do alvo e das miras permite excluir uma percentagem importante
dos erros. É importantíssimo aproveitar a estabilidade da posição para controlar
a zona alvo / anilha, tal como a zona diopter / túnel na fase preparatória e
precisamente no momento do disparo.
4
– Os atiradores de deitado corrigem o que começa a falhar antes de tirar um
9 ( porque concentram-se nas sensações e observam as reacções da arma ). Não
há magia nenhuma nisto: há "dezes" que foram erros. Este tipo de disparos
pode ser motivo suficiente para levantarem-se do posto de tiro após ter feito,
por exemplo 48 "dezes" seguidos.
5
– Não se deve parar nunca na busca de uma boa munição e de um melhor cano. Não
te deixes acomodar. Dizem que um bom atirador até com um cabo de vassoura atira.
Isto pode ser verdade até aí aos 594...
Equipamento
Casaco. Sem grandes exigências, fechar 2 / 3 botões.
Bandoleira. Preferível de material sintéctico.
Luva. Preferível dura; na zona de contacto com a manga do casco
e da bandoleira colocar tudo de maneira a não criar rugas e vincos.
Carabina. A coronha deve ter o encosto de cara e a chapa de coice
reguláveis, o cano de preferência pesado e que agrupe bem ( nem todos os canos
são iguais ).
Miras. Para conseguir uma grande estabilidade da arma, muitos
atiradores prolongam a distância entre miras com um tubo. Com este engenho pretende-se
que o atirador se aperceba melhor dos pequenos movimentos da arma. O tamanho
da anilha, de preferência pequeno que grande; por exemplo numa arma sem tubo
3,2 – 3,4. A íris regulável com filtros ( incluindo polarizador ) permitem adaptar
a visão às condições mais difíceis.
Nível. A inclinação da arma deve ser sempre a mesma, a sua variação
pode ser a causa de um desvio de pontaria. O nível serve também como controlo
da colocação correcta da chapa de coice no ombro e possíveis tensões nos músculos
do pescoço.
Munição. A opinião que Eley Tenex é melhor que por exemplo R50
tem os seus limites. O último campeão olímpico de deitado, Cristian Klees, ganhou
os jogos com Fiocci e cano de Diana ( coronha da Anschütz ). Em busca de pontuações
acima dos 594 pontos deve-se procurar o par mais perfeito: lote de munição e
cano.
Carregar a arma. Ao carregar a arma é preferível não perder o
contacto entre o ombro e a chapa de coice, nem alterar os eixos da posição;
isto consegue-se mudando o peso do braço direito para cima do esquerdo no momento
de carregar.
Óculo. Colocá-lo de tal modo que permita controlar o alvo levantando
somente a vista ( quando muito, girar um pouco a cabeça ) sem mudar a posição
nem criar tensões adicionais em nenhuma parte do corpo.
Colocação
do corpo
a.
A perna esquerda ( a1 ) com o pé ( a2 ), o lado esquerdo do corpo ( a3
) e o cotovelo ( a4 ) formam uma linha ( o cotovelo pode estar colocado um pouco
para a direita da linha do corpo ).
a1)
Refere-se ao lado esquerdo da perna; a rótula do joelho não deve estar em contacto
com o chão, deve apoiar a parte lateral.
a2)
O calcanhar inclinado para a esquerda em relação aos dedos ( permite mais facilmente
conseguir o detalhe mencionado em a1 ).
a3)
O osso da anca suporta uma grande parte do peso; normalmente depois de umas
horas a treinar aparece uma mancha nesta zona de pele, assim, juntamente com
o joelho direito ( c ) consegue-se levantar a zona do estômago evitando grande
parte das pulsações que se transmitem através da mesma.
b.
A linha do corpo deve estar inclinada entre 0 e 30º em relação à linha
de tiro.
c.
Flectir um pouco a perna direita, subindo o joelho ( uns 45º ). Deste
modo consegue-se outro ponto de apoio importante para obter uma posição estável
e levantar a zona do estômago.
Aperfeiçoamento
Partindo
de um ponto mais avançado, o êxito no tiro está condicionado por factores cujo
desenvolvimento determina o maior ou menor nível de sucesso.
O
treino começa no local onde termina a diversão: fazer 30 "dezes" seguidos
pode ser muito emocionante, mas de divertido não tem nada.
Entre
os factores de destaque estão:
Conhecimentos técnicos
Armas, acessórios e munições
Empenho e coragem
Paciência e sacrifício
Disciplina e motivação
O
empenho e coragem é imprescindível para converter um sonho em realidade. Cada
qual tem a possibilidade de conseguir o que sonhou e o mais provável é que não
atinja o que vai além da sua própria vontade. Quero dizer, que uma pessoa que
esteja apenas a "participar" numa prova nunca a poderá ganhar. Para
ganhar deve-se quere-lo muito antes da prova começar.
O
factor de paciência e sacrifício tem a sua importância tanto a longo como a
curto prazo. Para executar 60 vezes a mesma "rotina" técnica com o
mínimo risco de erro, é preciso ter a paciência de um frade, tendo em conta
que a mesma deve ser muito completa porque contém aspectos biomecânicos ( equilíbrio
da posição ), fisiológicos ( respiração, desgaste neuromuscular, cansaço da
visão, etc. ) e psicológicos ( auto-manipulação da motivação com o objectivo
de focar a atenção em todos os aspectos ).
Mencionando
o factor da disciplina refiro-me à capacidade de escolha, decisão e coerente
actuação. A disciplina que tem o medo nas suas raízes apaga a motivação. A disciplina
cujo motivo principal é o próprio benefício não garante a execução correcta
de todos os disparos nos momentos mais difíceis da prova, como por exemplo os
primeiros e últimos tiros. O fundamento mais desejável na disciplina é a escolha
e decisão voluntária do atirador
Objectivos
e formas das seguintes etapas do treino na posição deitado
A
formação de um atirador deveria passar por todas as etapas na sequência que
se propõem. Um atirador médio / avançado pode e deve aperfeiçoar mais que uma
etapa por treino mas não tem sentido saltar as últimas etapas sem dominar, pelo
menos num nível satisfatório, as etapas anteriores.
Dominar
a posição de tiro e suscitar a motivação ao êxito
Etapa
1 – Jogando com os ajustes que permite a coronha da carabina, procurar
o máximo equilíbrio passivo e estabilidade no "timing" da posição.
A forma mais apropriada de o conseguir é praticar a posição sem disparar ( numa
primeira fase nem sequer em seco ), sem alvo ( para evitar o forçar da posição
para um ponto de referência concreto ), sem miras ( facilita uma colocação perfeita
da cabeça, de vez em quando colocar o diopter para aproximar à posição real
da cabeça, continuar sem diopter ). Cada sessão durará 15-20 minutos, 1-3 sessões
por treino.
Etapa
2 – Definir as sensações musculares que acompanham a posição de tiro:
treinar o relaxamento na posição de tiro; disparar em seco sem o mesmo ponto
de referência para todos os tiros, mas com miras. Admite-se um ponto de referência
diferente para cada tiro. Não forçar a posição.
Etapa
3 – Dominar a colocação da posição em relação a um ponto de referência
concreto. Cuidado com as tensões que se possam produzir devido ao forçar da
posição em relação ao alvo. O objectivo é chegar com a mesma facilidade ao controlo
do equilíbrio que na etapa anterior ( sem alvo e miras ). Uma "dica":
a pontaria deve ser efectuada com o corpo todo, não apenas com a vista. Disparar
em seco equilibrando a posição e a carabina em relação ao alvo, de preferência
na carreira de tiro. Para treinar noutro sítio deve-se medir a altura exacta
a que fica a carabina quando se aponta a um alvo real. Respeitar a mesma altura
do cano noutras condições. Uma sessão deve durar 8-10 minutos, 2-4 sessões por
treino.
Dominar
as reacções da posição e da carabina no momento do disparo:
-
quer pela via visual quer pela sensitiva
Etapa
4 – Disparar para um alvo com bala. Controlar pela via sensitiva as
reacções da posição. Tentar manter a mesma posição ( as mesmas pressões, as
mesmas forças e a mesma distribuição de peso ) na fase de pontaria, durante
o disparo e após – até que desapareçam todas as vibrações e movimentos – Se
for detectado alguma variação corrigir a posição e, se necessário, corrigir
também os ajustes da carabina. Comprovar a nova posição pela forma das etapas
anteriores.
Etapa
5 – Disparar para um alvo com bala. Controlar visualmente o impacto
e o ponto onde ficam as miras após o mesmo. Corrigir com as ancas e conseguir
que as miras, após o disparo, voltem ao mesmo ponto onde estavam na fase de
pontaria ( 9 / 10 ). O impacto ideal é completamente vertical e curto.
A
maneira mais apropriada de treinar nestas etapas é fazer agrupamentos, começando
com 20 tiros e acabando, num nível mais avançado com agrupamentos de 5 tiros.
A
não classificação de um treino ( agrupamentos ) impede pensamentos negativos
e/ou desmotivação. Os pensamentos positivos são o alimento da motivação e do
empenho. Um agrupamento diz o suficiente sobre o nível de controlo de um atirador,
mas impede preocupações por um tiro(s) concreto.
Para
quê olhar pelo óculo se ainda há muitos tiros que não dominas tecnicamente?
Mais vale que te apercebas sem olhar de alguns falharam. Não interessa velos,
porque se vão consolidar.
Aperfeiçoar
a "Rotina" ( procedimento do disparo ).
Ganhar
autoconfiança e a sensação de controlo.
O
modelo aproximado da "rotina":
1
– Equilibrar a posição sem ajuda das miras, colocar bem a cara. Comprovar "exteriores"
( orifício do diopter com o túnel ).
2
– Corrigir o equilíbrio da posição procurando o centro do alvo. Não forçar a
posição.
3
– Respirar de forma lenta e controlada com a vista focada num objecto próximo,
controlo sensitivo do equilíbrio da posição ( 6 segundos )
4
– Comprovar exteriores ( 0.3 segundos )
5
– Apontar ( ajustar com a máxima precisão a posição vendo a imagem dos círculos
) ( 4 a 7 segundos )
6
– Mantendo a sensação do máximo equilíbrio, ir apertando o gatilho lentamente
( 0.5 – 1 segundos ).
7
– Aguentar com a mesma sensação até que desapareçam as vibrações e movimentos
( 0.2 – 0.5 segundos ).
8
– Comprovar novamente o centrado de miras sem mudar a sensação de equilíbrio
( 0.1 - 0.2 segundos ).
Etapa
6 – Disparar todos e cada um dos tiros com a mesma rotina. Controlar
os agrupamentos posteriormente com o óculo.
Etapa
7 – Impor a perfeição da rotina e seguindo cada elemento com a atenção
adequada, ir comprovando a coincidência dos desvios da rotina com o desvio dos
impactos.
Etapa
8 – Praticar a rotina: Observar o processo da criação de um agrupamento.
Cuidado: quando estás na fase de preparar e executar o disparo TODA A ATENÇÃO
deve estar na rotina. Nem 1% da atenção pode desviar-se com a imagem da tua
possível vitória. Se achares demasiado difícil algum momento, deixa de olhar
pelo óculo e continua a disparar em seco, falando contigo mesmo entre os disparos
até que sejas capaz de focar toda a atenção somente na rotina.
Mecanizar
a "rotina". Controlar unicamente nos momentos de fraqueza
Se
as mais íntimas preocupações de cada um estivessem escritas na face, quantos
dos que nos causam inveja nos causariam pena...
Zbigniew
Haber – Treinador
da Selecção Espanhola de Carabina
Ninguém
imagina o dia do seu casamento se nenhum tipo de preparação ou esforço, mesmo
algumas semanas antes do acto, ainda que todos os preparativos não garantam
que o noivo não diga "não" no altar. O atirador também deve estar
em harmonia com uma prova que é muito importante para ele, vários dias antes
de a disputar.
Seguidamente
vou comentar alguns aspectos chave que entram em campo nas diversas fases de
preparação para uma competição. Começarei num momento relativamente distante
da prova e acabarei o discurso com o primeiro alvo de prova.
1
– Comprometes-te em ser campeão do próximo campeonato sempre e quando tenhas
estudado, não só pelo esplendor de o conseguir, mas também pelo nível de perfeição
y força mental que deve ter um campeão. Antes de comparar-te com esse modelo
não deverias ambicionar ao título. Em lugar de te ajudar pode-te prejudicar.
2
– A confiança e tranquilidade deves buscá-las em tu mesmo. Descobrindo e construindo
a tua personalidade de campeão de... o que tu quiseres. Para isso tens a tua
cabeça e a psicologia desportiva dar-te-á algumas pistas:
Pensar positivamente
Aprender a aceitar os teus nervos e receios
Concentrar-te em aspectos básicos
Concentrar-te em cada disparo em separado ( cada tiro é uma prova
)
Desenvolver o ego de uma forma sã
Há
muitos praticantes de tiro no mundo que aplicaram o seu tempo nos treinos. Sabem
muito de técnica, mas ficaram com a mesma personalidade desportiva do início.
Achas que um gato pode caçar alguma coisa maior que um rato? Os campeonatos
são ganhos pelos leões.
Qual
é a diferença entre um gato e um leão? Os dois têm um bom instinto e não estão
ambos isentos de ter medo, mas o leão tem-no muito claro: para ele fugir não
existe! Assim convenci-me a mim mesmo, porque o gato nunca será o rei da selva
ainda que coma muito e lhe cresçam os dentes. J
3
– Umas 2 – 3 semanas antes do campeonato não faças provas pontuáveis. Podes
competir / treinar mas com alguns objectivos tácticos, com o objectivo de conseguir
o máximo de pontuação. Depois de acabar a prova podes estar contente ou não
pelo cumprimento dos objectivos tácticos, nunca pela pontuação atingida. Não
encontrarás a confiança através dos pontos conseguidos nos treinos. As provas
pontuáveis só servem para alimentar o gato. São os treinos de fugida por medo.
4
– O treino oficial do campeonato não é ainda a prova pontuável, nem a oportunidade
de aprender técnica. Se puderes escolher a hora e o posto de tiro escolhe o
mais próximo possível do que te vai calhar. Assim terás possibilidade de comprovar:
A luz. Ajustar a íris e a anilha no caso de recintos fechados,
comprovar possíveis problemas de sombras no alvo em instalações abertas.
Orientação e altura dos alvos. No caso de detectares diferenças
em altura, corrigir a diferença evitando mexer na chapa de coice, por exemplo
mudar a posição do "hand-stop".
Organização do posto de tiro. Todos as carreiras de tiro têm as
suas características específicas e diferentes acessórios.
Localizar e ver o aspecto de casas de banho, bares ou outros lugares
que possam ser úteis, por exemplo, para o aquecimento.
5
– A noite anterior. Em função do "peso" do mesmo, a experiência do
atirador, o seu temperamento, modalidade e habilidade para controlar as emoções
há diferentes tácticas para passar a noite. É regra universal deixar "estacionada"
a problemática do tiro até de manhã. A quantidade de horas dedicadas ao sono:
3 a 8. Uma pessoa um pouco cansada reage com menos intensidade ao stress. Também
não interessa total falta de reacção ao stress, como aconteceu a um atirador
que adormeceu na final de deitado... J Os problemas digestivos e os problemas
de equilibro podem prejudicar a prova e por esse motivo deves procurar a maneira
mais adequada de passar o tempo. Boa educação e espírito desportivo recordam
que as soluções boas para uns podem prejudicar outros e incluir este aspecto
como um dos critérios principais na hora de procurar companhia...
O
Vencedor tem muitos amigos, o derrotado bons amigos
Zbigniew
Haber – Treinador
da Selecção Espanhola de Carabina
O
treino é um processo bastante complexo ainda que o seu objectivo seja bastante
claro: melhorar o rendimento desportivo. Existem vários factores que determinam
a rapidez e limites deste processo.
Tal
como num restaurante onde um bom cozinheiro deita os ingredientes ( factores
determinantes de um bom prato ) no momento adequado e por uma ordem determinada,
a ordem e a lógica da estrutura de um treino têm uma grande importância. Um
dos faróis mais importantes no mar das dúvidas e problemas desportivos. Toma
atenção que há uma diferença importante entre um objectivo e um desejo. Um desejo
pertence ao mundo dos sonhos e tem valor como inspiração mas nunca pertencerá
ao mundo real se não o converteres num objectivo.
SONHO
+ REALIDADE = OBJECTIVO
Olha
para a meta a atingir mas olha também para onde estás. Verifica a diferença
entre o que pretendes atingir e o que já tens. Procura imaginar tanto os benefícios
como os riscos e gastos na conversão desse sonho em realidade: o desenvolvimento
da personalidade, satisfação, dinheiro, tempo, esforço, suor, sorrisos e lágrimas.
Resolve-te a assumi-los. Se não os consegues suportar, redefine a meta. Ninguém
atinge as metas mais altas em cinco minutos. Ainda que não tenhas garantias
de a atingir, é melhor seguir em frente a pouco e pouco do que ficar no mesmo
sítio desejando chegar ao fim do mundo.
Existe
um perigo: quando reduzes mentalmente a dolorosa diferença entre o sonho e a
realidade, fazes um filme para te convenceres que és mais bonito, mais forte,
mais perfeito, encontrarás a realidade, mas apenas no mundo dos teus sonhos...
Por isso redefine a meta, não essa imagem da realidade. O funcionamento será
mais eficaz.
Para
as necessidades deste artigo vamos definir os objectivos tendo em conta o TEMPO
disponível para o conseguir :
Objectivos a longo prazo
Objectivos a curto prazo
Objectivos
a Longo Prazo
São
definidos para toda a temporada de uma maneira geral. Exemplos, bater o recorde
pessoal, aproximar-se ou bater o recorde nacional, entrar numa final olímpica
ou conseguir pontuação que o permitisse, entrar para a selecção nacional, conseguir
os mínimos olímpicos, conseguir uma medalha no campeonato ( nacional, distrital
) etc. Este tipo de objectivos têm um papel importante na inspiração para uma
planificação mais detalhada, respondendo à pergunta: como posso consegui-lo?
Objectivos
a Curto Prazo
Estão
previstos para os períodos de 2-6 semanas, chamados meiociclos. São a
consequência dos objectivos a longo prazo e devem ser mais detalhados e mais
precisos.
Exemplos
a nível técnico: melhorar a posição de pé para ter mais equilíbrio, alterar
a posição para não forçar tanto a coluna sem perder o equilíbrio, melhorar a
resistência na posição de joelhos, melhorar a posição deitado para obter uma
reacção vertical da carabina, modificar a posição para poder carregar mantendo
a carabina na posição de disparo, etc.
Exemplos
a nível psicológico: aprender uma técnica de relaxamento, aplicar a técnica
de relaxamento Schultz vinte minutos antes das provas e nos momentos de tensão
durante as mesmas, melhorar a capacidade de concentração durante as provas,
superar a tensão do primeiro tiro, etc. A maioria dos objectivos a nível psicológico
devem ser aperfeiçoados durante as competições.
Exemplos
a nível físico: fortalecer os músculos da coluna, baixar os batimentos cardíacos
melhorando a resistência física, etc.
É
aconselhável realizar só um objectivo em cada meiociclo . Estes objectivos
devem estar presentes em todos os treinos de cada meiociclo.
De
seguida quero apresentar um exemplo de programação dos treinos de quase três
semanas antes do Campeonato de Espanha de Juniores em Ar Comprimido. Em primeiro
lugar gostaria de explicar a estrutura de cada treino e depois apresentar o
tipo de trabalho a realizar em cada um.
Estrutura
Geral
Todos
os treinos e todas as competições em pé devem seguir o seguinte esquema:
Aquecimento
Treino de acordo com os objectivos a curto prazo previstos para
esse período
Dez minutos de compensação ( apontando ao alvo à esquerda, se
te divertires mais podes disparar )
Aquecimento
Fazer
alongamentos
7-10
minutos: encontrar o ponto de equilíbrio mais estável fazendo pontaria ao alvo,
sem casaco. Procura lembrar-te dos eixos e sensações da posição para que possas
aproveitar no treino / prova. No caso de ser uma prova aproveita os 10 minutos
de preparação para fazê-lo.
3-4
minutos: disparar ao primeiro alvo de treino, sem casaco e sem puxar o alvo.
Nesta altura não é importante nem a dispersão nem centrar a carabina. Deves
encontrar uma boa coordenação na saída do tiro sem perder o equilíbrio da posição.
3-4
minutos: dispara ao segundo alvo de treino, com casaco, sem puxar ( um agrupamento
). Continua a trabalhar para ganhar equilíbrio e coordenar bem a saída do tiro.
Logicamente, como utilizas o casaco, tens a clara sensação de melhor equilíbrio
( a carabina para melhor ) e mais confiança, o que te permite soltar o disparo
sem medo. Isso não significa que já podes "trabalhar" menos! Significa
que podes fazer muitos pontos J . Continua e aproveita-o durante o treino /
prova. Não percas a concentração, e continua a procurar o melhor equilíbrio
e coordenação na saída do disparo.
5
minutos: os dois últimos alvos deves utilizá-los para centrar a carabina ( quando
já tiveres ganho controlo sobre o equilíbrio e coordenação na saída do disparo
); normalmente 3 – 5 tiros é suficiente. Se te limitares a uma quantidade limitada
e definida de tiros, acostumar-te-ás mais facilmente ao início da prova ( quase
todos os atiradores conhecem bem a dificuldade que existe entre o último tiro
de ensaio e o primeiro de prova. A diferença entre "bons" e "maus"
é que os primeiros aprenderam a superá-la ).
Objectivos
do meiociclo
Controlo
do equilíbrio e coordenação da saída do disparo
Uma
bem equilibrada posição no momento do disparo e boa saída do mesmo ( a que não
desequilibra a posição ) são a principal base técnica de uma boa prova. Por
isso mentaliza-te antes de cada treino / prova e trabalha para melhorar esses
importantes detalhes. Vais utilizar diferentes exercícios, mas todos estão pensados
para que estudes diferentes pontos de vista e o mais grave no tiro o equilíbrio
e saída do disparo . Obriga-te a não perder nunca de vista o mais importante,
que não são só os agrupamentos ou os pontos. Procura sempre trabalhar para ganhar
equilíbrio e não o perder no momento de saída do tiro.
Fortalecer
os músculos na zona das ancas ( dorsais, glúteos e abdominais )
Treino
4 – 5 vezes por semana, em função das possibilidades.
1º dia, Treino nº1 – 4 vezes
2º dia, Treino nº1 – 3 vezes
3º dia, Treino nº2 – 4 vezes
4º dia, Treino nº2 – 3 vezes
5º dia, Treino nº1 – 3 vezes
6º dia, Treino nº2 – 4 vezes
7º dia, Treino nº3 – 2 vezes
8º dia, Treino nº3 – 3 vezes
9º dia, Treino nº4 – 2 vezes
10º dia, Treino nº3 – 2 vezes
11º dia, Treino nº4 – 3 vezes
12º dia, Treino nº4 – 1 vez
n dia, Treino nº3 – 1 vez
Treino
nº 1
Dez
a quinze tiros sem puxar o alvo. Utilizar um alvo usado ou retirar o centro
para não poder avaliar os impactos.
Agrupamentos
de cinco tiros
Treino
nº 2
Cinco
tiros controlando o valor de cada um no alvo.
Seis
execuções mentais de um bom disparo, um com carabina mas sem chumbo ( em seco
), outra só mentalmente, etc.
Agrupamentos
de cinco tiros ( sem puxar o alvo ), respeitando o mesmo esquema mental que
usas-te no ponto anterior.
Treino
nº 3
Vinte
tiros a dois alvos. Depois de cada tiro mudas o alvo para o outro. No fim terás
dois agrupamentos em dois alvos. Atenção! Quantos mais tiros tem cada alvo,
provavelmente a concentração ir-se-á desviando mais do programa básico, que
é o equilíbrio e a saída do disparo. A tarefa é manter a mesma concentração
no tema do equilíbrio e na saída do que em outros exercícios. O tamanho de agrupamento
tem uma importância secundária. O trocar os alvos serve só para desviar a tua
atenção...
Seis
execuções mentais de um bom disparo, um com carabina mas sem chumbo ( em seco
), outra só mentalmente, etc.
Dez
tiros controlando o valor no alvo ( um tiro por alvo )
Treino
nº 4
Três
séries de dez tiros. Repetir uma vez a série que tem o pior tiro ( - que 9.2
)